O Fórum Nacional de Participação Digital é um evento anual de grande porte que atua como uma ponte entre a sociedade civil, gestores públicos, academia e o setor de tecnologia. Durante três dias de imersão, os participantes terão a oportunidade de trocar experiências, conhecer ferramentas inovadoras de engajamento social e formular propostas reais para os desafios digitais do Brasil.
O evento oferece uma programação dinâmica, que foge do modelo tradicional, priorizando a colaboração prática e a escuta ativa.
Para organizar uma assembleia de mentes tão brilhantes e, muitas vezes, divergentes, criaríamos o hipotético Conselho Supremo da Práxis Histórica. A organização interna deste conselho seria dividida em departamentos estratégicos, garantindo que a teoria e a ação se complementassem, respeitando as contribuições específicas de cada pensador.
Abaixo está a proposta da estrutura organizacional e a descrição dos cargos de cada conselheiro.
1. Presidência e Sistematização Teórica
O núcleo duro responsável por ditar as bases fundacionais e manter a coesão teórica do Conselho.
Karl Marx — Presidente Científico e Arquiteto-Chefe: Cargo máximo e honorário. Responsável por definir o escopo das investigações sobre a economia política e a dinâmica do capitalismo. Todas as resoluções do conselho devem passar pelo crivo do método materialista histórico desenhado por ele.
Friedrich Engels — Secretário-Geral e Diretor Interdisciplinar: Braço direito da presidência. Responsável por organizar as formulações de Marx, revisar documentos oficiais e conectar as ciências humanas com os avanços das ciências naturais. Ele garante que as ideias do Conselho sejam traduzidas de forma compreensível para o público externo.
2. Comitê de Ação Política e Estratégia Revolucionária
A ala responsável por transformar a teoria em prática, planejando como o Conselho atua no cenário geopolítico e dialoga com a classe trabalhadora.
Vladimir Lenin — Diretor Executivo de Tática e Organização: Chefe operacional. Seu papel é definir a estratégia de tomada de decisões rápidas, organizar os quadros do Conselho com disciplina rigorosa (o conceito de vanguarda) e analisar as brechas do imperialismo moderno para a atuação política.
Rosa Luxemburgo — Ouvidora-Geral e Coordenadora de Mobilização de Massas: Responsável por garantir que a direção de Lenin não se torne excessivamente burocrática ou autoritária. O cargo de Rosa é garantir a democracia interna e incentivar greves, protestos e a ação espontânea da base.
Leon Trótski — Ministro das Relações Internacionais: Chefe da diplomacia e expansão global do Conselho. Seu cargo exige que ele garanta que a visão do grupo não se restrinja a um único país ou região, trabalhando para conectar movimentos e revoluções em todo o globo de forma ininterrupta.
3. Ministério da Cultura, Sociedade Civil e Ideologia
O setor dedicado a compreender e disputar narrativas, focado em como o capitalismo se sustenta através da cultura, do direito e da educação.
Antonio Gramsci — Ministro de Articulação da Sociedade Civil: Estrategista-chefe da guerra de posições. Seu cargo envolve mapear e infiltrar as ideias do Conselho em escolas, universidades, sindicatos, mídia e igrejas, construindo uma "hegemonia cultural" antes de qualquer confronto político direto.
György Lukács — Diretor de Consciência e Ontologia: Responsável pelo diagnóstico interno da classe trabalhadora. Ele monitora os níveis de alienação social e elabora programas de formação para romper com a "reificação", garantindo que os indivíduos se reconheçam como sujeitos históricos e não como mercadorias.
Louis Althusser — Inspetor-Geral das Estruturas e Aparelhos de Estado: Chefe da auditoria científica. Seu trabalho é estritamente analítico, dissecando como o Estado adversário utiliza suas instituições (família, polícia, escolas) para se reproduzir. Ele também atua como um censor interno, garantindo o "rigor científico" contra possíveis desvios excessivamente emocionais ou "humanistas" do Conselho.
4. Departamento de Crítica da Mídia e Psicanálise Social (A Tenda de Frankfurt)
Um laboratório de pesquisa avançada dedicado a entender as adaptações do capitalismo moderno, o consumismo e o conformismo.
Max Horkheimer — Coordenador-Geral da Teoria Crítica: Diretor do laboratório, responsável por integrar as pesquisas filosóficas e sociológicas do departamento e estabelecer pontes com a psicanálise.
Theodor Adorno — Diretor de Crítica da Indústria Cultural: Seu papel é auditar o consumo de massa, a música, o cinema e o entretenimento, elaborando relatórios sobre como o lazer é utilizado para anestesiar o pensamento crítico da sociedade.
Walter Benjamin — Curador de Memória Histórica e Estética: Guardião dos arquivos e da arte. Ele busca nos destroços da história as esperanças esquecidas das gerações passadas, usando a arte e a tecnologia da reprodução de imagens como ferramentas de conscientização.
Herbert Marcuse — Analista-Chefe de Novos Movimentos e Desalienação: Focado nas alianças expansivas. Seu cargo exige conectar as pautas tradicionais do Conselho com estudantes, minorias, movimentos ambientais e contraculturais, analisando as repressões psicológicas da sociedade moderna.
5. Secretaria de Integração Periférica e Decolonialidade
Um núcleo autônomo focado nas contradições do capitalismo fora dos grandes centros europeus e norte-americanos.
José Carlos Mariátegui — Secretário de Assuntos Agrários e Povos Originários: Responsável por adaptar as cartilhas do Conselho para as realidades indígenas e camponesas, garantindo que o planejamento respeite as tradições coletivistas ancestrais e não imponha modelos industriais estrangeiros de forma forçada.
Caio Prado Júnior — Historiador-Chefe de Economias de Exportação: Analista responsável por fornecer ao Conselho os dados sobre o passado colonial. Ele mapeia como as economias do Sul Global foram estruturadas unicamente para servir o exterior.
Florestan Fernandes — Diretor de Sociologia do Capitalismo Dependente: Estrategista responsável por entender a burguesia dos países periféricos. Seu cargo é elaborar táticas de enfrentamento contra as alianças autocráticas entre as elites locais e o capital internacional, garantindo que as demandas das populações marginalizadas, especialmente as afetadas pela herança escravocrata, sejam centrais nas resoluções do Conselho.