Com esse objetivo foram enviados a Althusser dois blocos de perguntas. O primeiro ainda dizia respeito à questão do Estado nas experiências revolucionárias já ocorridas; o segundo se referia mais de perto à discussão italiana, particularmente, à discussão teórica na esfera política. Foi perguntado ao filósofo francês o que ele pensava sobre a tese segundo a qual necessariamente "o partido se torna Estado" e sobre a relação que nesse caso se cria entre Estado, partido e sujeitos do conflito social e suas formas de luta. Trata-se de pensar, agora e sobretudo na transição, tanto a questão da ditadura do proletariado — e a "crítica da política" que esta comporta — como a questão, não resolvida historicamente, da extinção do Estado. Uma sociedade fundada, mesmo depois da mudança da classe dominante, no princípio do "desequilíbrio" e da revolução ininterrupta, como afirmava Mao, pode viver sem uma "regra do jogo", uma norma, um direito que se formam e se quebram no momento do conflito, sob pena de não conseguir exprimir nem o "centro", nem a "direita", nem a "esquerda", isto é, não exprimir a dialética social real? O direito, o Estado, não são afinal a forma do compromisso social que ocorre em todo período, mesmo no período da transição? Mas, se isso é verdade, como e quando o Estado se extingue? O que leva a crer que no comunismo os "produtores" não terão necessidade de uma mediação política geral?
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