1. Na leitura dos textos de Ingrao e de Giovanni encontramos, não por acaso, o adjetivo "complexo" — que se repete incessantemente nos textos destes companheiros (e de outros) —, e esta noção de "globalidade" que me parece estar relacionada com o termo, por outro lado, corrente, de "generalidade" (o "momento geral", etc.). Por trás destas expressões, assim como por trás de uma certa concepção a que elas se filiam, creio reconhecer a idéia de que a teoria marxista é capaz de "englobar" a totalidade do processo que conduzirá do capitalismo ao comunismo, quando, na verdade, ela apenas designa as tendências contraditórias que estão em ato no processo atual. Tão logo se liberta dos tons proféticos dos seus escritos de juventude e do socialismo utópico (que, diga-se de passagem, ainda permanecem, de certo modo, em O capital), Marx pensa o comunismo como uma tendência da sociedade capitalista. Essa tendência não é uma resultante abstrata. Existem já, concretamente, nos "interstícios da sociedade capitalista" (assim como existiam as trocas mercantis nos "interstícios da sociedade escravista e feudal") formas virtuais de comunismo: como nas formas de associação que, guardadas as devidas proporções, tendem a escapar das relações de mercado.
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