2. O segundo pressuposto diz respeito à política. Parece-me que Gramsci, malgrado o seu profundo senso da história, obscurece mais do que ilumina este ponto cego que há em Marx, quando recupera a velha distinção burguesa entre sociedade política e sociedade civil, mesmo se ele dá um outro sentido à noção de sociedade civil (organizações "hegemônicas" privadas, portanto, fora da "esfera do Estado" que é identificada com a "sociedade política", o que implica em apoiar-se de novo na distinção jurídica entre "público" e "privado"). Eu creio que na problemática que se discute na Itália há um nexo entre as noções de sociedade política, de Estado e a função de "generalidade", contraposta ao "privado" (o que não é exatamente a mesma coisa que o "particular", e muito menos o "setorial", a que se refere De Giovanni, o qual todavia também fala do "privado"). Penso que este agregado de noções que se comunicam entre si reenvia, apesar de tudo, tanto à ideologia, à concepção e à prática burguesa da política, como, por fim, ao idealismo latente de uma "universalidade do Estado" como o lugar onde se realiza o "universal", ou a generalidade de uma humanidade enfim libertada da exploração, da divisão do trabalho e da opressão (dirigentes/dirigidos), que Marx conserva durante muito tempo em suas obras de juventude, como herança de Feuerbach, mas também posteriormente: no fundo, a essência humana reside no Estado, que exprime a sua universalidade de forma alienada; basta tomar consciência disso e realizar conseqüentemente uma boa "universalidade", não alienada. No final deste caminho se encontra o reformismo.
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