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Artigo

A "politização generalizada" da qual fala Ingrao é um sintoma que deve ser interpretado como um questionamento, um tanto selvagem mas profundo, das formas burguesas clássicas da política. Essas diversas iniciativas tendem a unificar-se, mas com contradições agudas que são geralmente "contradições no seio do povo", mesmo quando não são reconhecidas desse modo pelos seus protagonistas. Nesse sentido, a Itália está à frente. Eu tenderia a interpretar as grandes dificuldades do Partido Comunista Italiano(4) em integrar ou mesmo entrar em contacto com alguns movimentos novos como o índice de que a concepção clássica da política e o papel dos partidos estão sendo colocados em questão, e as iniciativas dos sindicatos, que algumas vezes surpreendem o partido, como um sinal de alarme para que o partido abandone essa sua velha concepção. E, naturalmente, todo esse movimento acaba por colocar em causa a forma de organização do próprio partido, o qual percebemos (um pouco tarde!) que é construído exatamente sobre o modelo do aparelho político burguês (com o seu "Parlamento" que discute, a base dos militantes e uma direção "eleita" que, aconteça o que acontecer, tem os meios de se manter em seus cargos e de assegurar, através do aparelho de funcionários e em nome da ideologia da unidade do partido, que sanciona o seu consenso, o predomínio de sua "linha". É evidente que esta profunda contaminação da concepção da política pela ideologia burguesa é o ponto em torno do qual se jogará (ou se perderá) o futuro das organizações operárias.

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Senha muito curta.