É essa autonomia do partido em relação ao Estado que permite pensar a possibilidade (ou a necessidade) do que formalmente se chama de "pluralismo". Só pode ser vantajoso que existam diversos partidos na fase de transição: pode ser uma das formas da hegemonização da classe operária e de seus aliados, mas com a condição de que o partido operário não seja como os outros, isto é, apenas um pedaço do aparelho ideológico-político de Estado (o regime parlamentar). É preciso que ele permaneça fundamentalmente fora do Estado por meio de sua atividade entre as massas, para impulsioná-las à ação de destruição-transformação dos aparelhos do Estado burguês e de extinção do novo Estado revolucionário, se este já existe. A armadilha número um é o Estado: seja sob a forma política da colaboração de classe ou da gestão da "legalidade" existente, seja sob a forma mítica do partido "se transformando no Estado". Digo mítica do ponto de vista teórico, pois ela é, infelizmente, muito real nos "países socialistas".
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