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Mas, se essa posição for mantida, os problemas levantados pelos socialistas italianos parecem-me estar devidamente situados. Naturalmente, é preciso que o Estado de transição estabeleça, respeite e faça respeitar uma "regra do jogo" jurídica, que proteja tanto os individuos como os opositores. Porém, se o partido é autônomo e permanece autônomo, respeitará as "regras do jogo" no espaço que os seus interlocutores consideram, segundo a ideologia jurídica clássica, a "esfera do político" — mas fazendo política lá onde tudo se decide: no movimento de massas. A destruição do Estado burguês não significa a supressão de todas as "regras do jogo", mas a transformação profunda dos seus aparelhos, alguns dos quais serão suprimidos, outros criados, todos revolucionarizados. Não é limitando a "regra do jogo", ou suprimindo-a, como na União Soviética, que será possível a expressão das massas, a não ser de modo selvagem, que pode levar a desfechos trágicos. A regra do jogo, tal como é concebida pelos ideólogos clássicos, é somente uma parte de um outro jogo, bem mais importante do que aquele do direito, como diz o próprio Bobbio. Se o partido mantém a autonomia, tem tudo a ganhar e nada a perder respeitando e propondo a regra do jogo. E se esta deve mudar, só pode ser para estender a liberdade, no sentido do desaparecimento do Estado. Mas se o partido perde a sua autonomia de classe, de iniciativa e de ação, então a mesma "regra do jogo" servirá a outros interesses, em tudo diversos daqueles das massas populares.

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