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Posso dizer, no entanto, que me sinto muito próximo de Ingrao quando ele sublinha a necessidade de se considerar o máximo possível todos os movimentos originais que se desenvolvem fora dos partidos, quando ele chama a atenção para as mudanças de atitude dos partidos (recusando toda visão totalizante) e quando ele declara que a questão do partido político se coloca em termos novos. Ingrao me convence menos (mas talvez eu não o tenha compreendido bem) quando, por exemplo, parece falar do Estado e da esfera política como constitutivos, de certo modo, de toda a política; quando ele fala de "socialização da política",(5) quando seria mais apropriado (como ele mesmo o diz) falar de uma "politização do social", pois a "socialização da política" supõe a preexistência de uma política que seria "socializada", e essa política a ser "socializada" se arrisca fortemente a ser a política nas suas formas dominantes. O que me parece interessante nos exemplos citados por Ingrao é que tudo se passa ao contrário: não da política para as massas, mas das massas para a política, e isto é fundamental, "para uma prática diferente da política" (Balibar). Creio que é insuficiente dizer, como o faz Ingrao, que para a conflitualidade e a diversidade dos movimentos "o momento da mediação política geral assume uma importância ainda maior". Falar em termos tão abstratos pode dar a impressão de que se está privilegiando o Estado em geral, sem se colocar em primeiro lugar a sua transformação. Talvez seja um defeito que vem de Gramsci, o qual tinha a tendência de confundir o aparelho de Estado com as suas funções, não apreendendo suficientemente a sua materialidade.

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