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Mesmo fazendo as mesmas reservas em relação às fórmulas análogas encontradas em De Giovanni ("socializar a política", "difusividade da política" no "particular", "difusão molecular da política", etc.), assim como à sua tese sobre a "difusão do Estado" — que pode se prestar a equívocos, levando a pensar na "ampliação do Estado" e confundindo o Estado e a política (como foi dito antes) —, sinto-me muito próximo dele quando De Giovanni evoca "a crise da autonomia da política" e sobretudo quando ele define esta política como "a forma teórica e prática de organização do velho Estado".(6) Isso porque agora ele chama a política pelo seu próprio nome: as formas de hegemonia em curso. E estou de acordo com ele quando observa muito justamente que "a exaltação da mediação política nasce dos riscos de "fraqueza" implícitos em sua mera "difusão".(7) Este é o ponto decisivo: a política não se difunde (entenda-se: pelo alto, a partir das formas do Estado e também dos partidos) sem correr o risco do tecnicismo ou de uma "participação" que se choca com o "muro" do poder do Estado (uma vez que a sua organização pode ser realizada pelo próprio Estado). "Não me parece que seja suficiente responder com a autogestão das autonomias ao caráter geral do poder historicamente existente (também aqui De Giovanni chama o geral pelo seu verdadeiro nome). O ponto decisivo é sempre a hegemonia, que está dada pela forma global na qual se deve exprimir a construção do Estado".(8) Não me agrada a expressão "forma global". Mas, hegemonia, construção do Estado (se construção do Estado quer dizer destruição do Estado burguês) são palavras que nos falam, a seu modo — pois todo o artigo de De Giovanni é cifrado e é preciso descodificá-lo —, de coisas há muito tempo conhecidas...

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