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    O Marxismo como Teoria "Finita"

  • 3

    Louis Althusser

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    04 de Abril de 1978

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    Primeira Edição: redigido em fins de 1977, foi publicado originariamente no jornal Il Manifesto, em 4 de abril de 1978.
    Fonte: Revista Outubro nº 2.
    Tradução: Márcio Bilharinho Naves. A tradução foi feita tomando-se como base o texto em italiano, "Il marxismo come teoria 'finita'", incluído no livro: Louis Althusser et all., Discutere lo Stato. Posizioni a confronto su una tesi di Louis Althusser, Bari, De Donato, 1978. Em algumas poucas ocasiões, no entanto, deu-se preferência à versão francesa, publicada em Dialectiques, 26, 1978, com o título de "Entretien", mas que não contém várias passagens e desdobramentos encontrados na versão italiana.
    Transcrição: Danilo Martuscelli.
    HTML: Fernando A. S. Araújo, Dezembro 2008.

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    Apresentação, por Rossana Rossanda

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    Em novembro de 1977, na reunião de Veneza sobre Poder e oposição na sociedade pós-revolucionária, Louis Althusser afirmava que não há uma teoria do Estado em Marx. Em março do ano seguinte, Il Manifesto(1) propôs a Althusser que aprofundasse esta questão, deixada em suspenso em Veneza, levando em conta particularmente a discussão em curso na Itália no âmbito da esquerda e, particularmente, o debate ocorrido em Mondoperaio(2), a entrevista de Giuliano Amato a Pietro Ingrao e os últimos escritos de Biagio De Giovanni em Rinascità.(3)

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    Com esse objetivo foram enviados a Althusser dois blocos de perguntas. O primeiro ainda dizia respeito à questão do Estado nas experiências revolucionárias já ocorridas; o segundo se referia mais de perto à discussão italiana, particularmente, à discussão teórica na esfera política. Foi perguntado ao filósofo francês o que ele pensava sobre a tese segundo a qual necessariamente "o partido se torna Estado" e sobre a relação que nesse caso se cria entre Estado, partido e sujeitos do conflito social e suas formas de luta. Trata-se de pensar, agora e sobretudo na transição, tanto a questão da ditadura do proletariado  e a "crítica da política" que esta comporta  como a questão, não resolvida historicamente, da extinção do Estado. Uma sociedade fundada, mesmo depois da mudança da classe dominante, no princípio do "desequilíbrio" e da revolução ininterrupta, como afirmava Mao, pode viver sem uma "regra do jogo", uma norma, um direito que se formam e se quebram no momento do conflito, sob pena de não conseguir exprimir nem o "centro", nem a "direita", nem a "esquerda", isto é, não exprimir a dialética social real? O direito, o Estado, não são afinal a forma do compromisso social que ocorre em todo período, mesmo no período da transição? Mas, se isso é verdade, como e quando o Estado se extingue? O que leva a crer que no comunismo os "produtores" não terão necessidade de uma mediação política geral?

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    As perguntas que você me submete são enunciadas de um modo e, sobretudo, com uma terminologia que contém toda uma série de pressupostos sobre a teoria marxista, sobre o Estado e a sociedade civil, sobre o desaparecimento do Estado, assim como sobre a política. Para tornar explícitos todos esses pressupostos, é necessário começar com uma série de observações preliminares, já que, de um ponto de vista marxista, eles nada têm de óbvios.

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