Pular para o conteúdo principal

Configurações de cookies

Usamos cookies para garantir as funcionalidades básicas do site e melhorar a sua experiência on-line. Você pode configurar e aceitar o uso dos cookies e modificar suas opções de consentimento, a qualquer momento.

Essencial

Preferências

Análises e estatísticas

Marketing

o anúncio da introdução

Texto Participativo

  • /processes/cop30/f/120/paragraphs/5620
    31

    Mesmo que se trate apenas de uma antecipação, que deve ser pensada como tal e com extrema prudência, não podemos aceitar esta imagem paradisíaca da transparência dos seres humanos, dos seus corpos, das condições de sua vida e de sua liberdade. Se uma sociedade comunista chegar a existir, ela terá as suas relações de produção — única denominação possível para esta "livre associação dos homens" — e, portanto, as suas relações sociais e as suas relações ideológicas. E se esta sociedade estará finalmente livre do Estado, isso não significa que a política também será extinta: ela conhecerá certamente o fim das últimas formas burguesas da política, mas esta política (a única que Marx pôde ver no limite mesmo de seu "ponto cego") será substituída por uma política diferente, uma política sem Estado, o que não é tão difícil de conceber se levarmos em conta que mesmo em nossa sociedade o Estado e a política não se confundem.

  • /processes/cop30/f/120/paragraphs/5621
    32

    Pode parecer gratuito nos deixarmos levar por esses jogos teóricos. No entanto, a experiência demonstra que a representação do comunismo que os homens — e especialmente os comunistas — fazem, por mais vaga que seja, não é estranha ao seu modo de conceber a sociedade atual e as suas lutas imediatas e futuras. A imagem do comunismo não é inocente: ela pode nutrir ilusões messiânicas que garantiriam as formas e o futuro das ações presentes, desviá-las do materialismo prático da "análise concreta da situação concreta", alimentar a idéia vazia de "universalidade" — que se encontra em algumas expressões equívocas similares, como o "momento geral", no qual uma certa "comunidade" de interesses gerais será satisfeita, como se fora a antecipação daquela que poderá ser um dia a universalidade do "pacto social" em uma "sociedade regulada". Esta imagem alimenta, enfim, a vida (ou a sobrevivência) de conceitos dúbios, com os quais, sob o modelo imediato da religião, da qual não forneceu nenhuma teoria, Marx pensou o fetichismo e a alienação, conceitos que, depois de 1844, retornarão com força nos Grundrisse e deixarão ainda os seus vestígios no Capital. Para decifrar o enigma é necessário retornar à imagem que Marx fazia do comunismo e submeter esta imagem problemática a uma crítica materialista. É através desta crítica que se pode perceber o que ainda resta em Marx de uma inspiração idealista do Sentido da história. Teórica e politicamente, vale a pena fazê-lo.

  • /processes/cop30/f/120/paragraphs/5622
    33

    4. É difícil para mim entrar na interessante discussão que está ocorrendo na Itália (Amato, Ingrao, De Giovanni), ao menos por razões de semântica política... — estes companheiros pensam em uma terminologia muito elaborada e abstrata, a partir de algumas indicações conceituais de Gramsci, coisa que coloca para nós, provincianos franceses, temíveis problemas de comunicação.

  • /processes/cop30/f/120/paragraphs/5623
    34

    Posso dizer, no entanto, que me sinto muito próximo de Ingrao quando ele sublinha a necessidade de se considerar o máximo possível todos os movimentos originais que se desenvolvem fora dos partidos, quando ele chama a atenção para as mudanças de atitude dos partidos (recusando toda visão totalizante) e quando ele declara que a questão do partido político se coloca em termos novos. Ingrao me convence menos (mas talvez eu não o tenha compreendido bem) quando, por exemplo, parece falar do Estado e da esfera política como constitutivos, de certo modo, de toda a política; quando ele fala de "socialização da política",(5) quando seria mais apropriado (como ele mesmo o diz) falar de uma "politização do social", pois a "socialização da política" supõe a preexistência de uma política que seria "socializada", e essa política a ser "socializada" se arrisca fortemente a ser a política nas suas formas dominantes. O que me parece interessante nos exemplos citados por Ingrao é que tudo se passa ao contrário: não da política para as massas, mas das massas para a política, e isto é fundamental, "para uma prática diferente da política" (Balibar). Creio que é insuficiente dizer, como o faz Ingrao, que para a conflitualidade e a diversidade dos movimentos "o momento da mediação política geral assume uma importância ainda maior". Falar em termos tão abstratos pode dar a impressão de que se está privilegiando o Estado em geral, sem se colocar em primeiro lugar a sua transformação. Talvez seja um defeito que vem de Gramsci, o qual tinha a tendência de confundir o aparelho de Estado com as suas funções, não apreendendo suficientemente a sua materialidade.

  • /processes/cop30/f/120/paragraphs/5624
    35

    Mesmo fazendo as mesmas reservas em relação às fórmulas análogas encontradas em De Giovanni ("socializar a política", "difusividade da política" no "particular", "difusão molecular da política", etc.), assim como à sua tese sobre a "difusão do Estado" — que pode se prestar a equívocos, levando a pensar na "ampliação do Estado" e confundindo o Estado e a política (como foi dito antes) —, sinto-me muito próximo dele quando De Giovanni evoca "a crise da autonomia da política" e sobretudo quando ele define esta política como "a forma teórica e prática de organização do velho Estado".(6) Isso porque agora ele chama a política pelo seu próprio nome: as formas de hegemonia em curso. E estou de acordo com ele quando observa muito justamente que "a exaltação da mediação política nasce dos riscos de "fraqueza" implícitos em sua mera "difusão".(7) Este é o ponto decisivo: a política não se difunde (entenda-se: pelo alto, a partir das formas do Estado e também dos partidos) sem correr o risco do tecnicismo ou de uma "participação" que se choca com o "muro" do poder do Estado (uma vez que a sua organização pode ser realizada pelo próprio Estado). "Não me parece que seja suficiente responder com a autogestão das autonomias ao caráter geral do poder historicamente existente (também aqui De Giovanni chama o geral pelo seu verdadeiro nome). O ponto decisivo é sempre a hegemonia, que está dada pela forma global na qual se deve exprimir a construção do Estado".(8) Não me agrada a expressão "forma global". Mas, hegemonia, construção do Estado (se construção do Estado quer dizer destruição do Estado burguês) são palavras que nos falam, a seu modo — pois todo o artigo de De Giovanni é cifrado e é preciso descodificá-lo —, de coisas há muito tempo conhecidas...

  • /processes/cop30/f/120/paragraphs/5625
    36
  • /processes/cop30/f/120/paragraphs/5626
    37

    Notas:

  • /processes/cop30/f/120/paragraphs/5627
    38

    (1) Publicação de militantes e intelectuais italianos que rompem com o Partido Comunista Italiano na década de 70, vindo depois a constituir um partido mais à esquerda (Nota do tradutor). (retornar ao texto)

  • /processes/cop30/f/120/paragraphs/5628
    39

    (2) Revista do Partido Socialista Italiano (NT). (retornar ao texto)

  • /processes/cop30/f/120/paragraphs/5629
    40

    (3) Publicação teórica e cultural do Partido Comunista Italiano (NT). (retornar ao texto)

Confirmar

É necessário fazer login

Senha muito curta.